Texto referencial: “Jesus, porém lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. (Mt 14, 16)
1 – A vida, entre outras coisas, é feita de tristezas e alegrias, de sucessos e de fracassos: aqui sobra e a cola falta. Há alternâncias, mas não devemos desanimar é preciso ir para o outro lado das situações de nossas vidas, buscando as opções corretas. Jesus o fez e no-lo mostrou. Foi para um lugar deserto, para pensar, meditar e orar: ouvir o Pai e falar-lhe. 1.1 Por quê? Ele em entre outras coisas, ouvira dizer que seu precursor o grande João Batista, fora executado de modo cruel. Jesus certamente entristecido pelo acontecido, em suas meditações lembrou-se de que o próximo seria ele mesmo. Foi quando então privilegiou o silêncio e a oração sem interromper sua ação missionaria.
2 – Os discípulos, a essa altura ainda eram pobres quanto a vivência, do ideal da missão. Além do mais ainda eram interesseiros, pensando apenas em si mesmos. Temiam que lhes viessem a faltar o pão cotidiano, quando lhes faltava até e certamente a solidariedade, ou seja, a dimensão diaconica da vocação. Esqueciam-se, até, de que Jesus estava com eles faltava-lhes fé e ainda passavam vergonha por suas atitudes.
3 – Foi quando, diante da multidão faminta, Ele (Jesus) lhes disse (apóstolos) “dai-lhes vos dê comer”. E hoje? O quer diria a sua Igreja? Haveria certamente de repetir “dai-lhe vós mesmos de comer”. Outrora eram mais ou menos cinco mil entre homens, mulheres e crianças famintos. Faltava-lhes pão peixes e outras coisas mais. E hoje? Procuramos então ajudar na acomodação dos famintos? Ativando nossa capacidade de socorrer? De ajudar? Milagres não sabemos realizar, ao menos não como os de jesus. Mas a outros (milagres): o da solidariedade, da caridade e da fraternidade. Esses podemos e devemos fazer, temos consciência disso? 3.1 Não poderíamos ou deveríamos fazer mais no campo assistencial? A Igreja não nasceu fazendo bem aos necessitados? Basta para isso consultar Atos dos Apóstolos 2, 42-47. E Hoje, não são milhões os necessitados? Milhões? Não! Já ultrapassam certamente um bilhão. Um? Ajudai-me vós agora a pensar. Não necessitamos de mais asilos, orfanatos, creches.? Como está a situação de muitos idosos e de tantas crianças? Não há dioceses muito fartas, quando a outras lhes faltam até o necessário? Não falta, as vezes até prestação de contas em nosso agir? Não acuso, não acuso. Apenas penso alto.
+Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Bispo Emérito de Taubaté-SP